Aqui posto de comando do Movimento das Palavras Armadas.

sexta-feira, julho 17, 2009

António Carmo



«António Carmo é um dos mais surpreendentes casos da pintura contemporânea. Uma linha de coerência jamais quebrada ou interrompida associa-se, directamente, a uma ética muito pessoal, que lhe advém de um conhecimento muito profundo das coisas da vida e da vida das coisas. Por outro lado, a pintura de Carmo está povoada de infância: a dele e a dos outros — do povo a que pertence, do povo a que, obstinadamente, evoca, num procedimento cultural que abre novas fronteiras à nossa própria percepção do homem português. Porém, a arte de António Carmo não naufraga numa patética e vã forma de panfleto. Ele consolida a originalidade da sua pesquisa permitindo todas as passagens a todas as modalidades, sem deixar de ser fiel a si próprio. É evidente que as raízes em que aprofundou e tem aprofundado a sua inquirição artística podem ser encontradas nos conceitos do neo-realismo. Porém, ele desafia as intuições e as marcas do vocabulário neo-realista para reconstruir uma outra sintaxe pictórica, na qual o valor das cores se cumplicia com a firmeza do traço, e com o projecto a que se impôs de levar a pintura, a sua pintura, aos limites máximos da expressão [...]»

Baptista-Bastos

quinta-feira, julho 16, 2009

Destinado ao Sr. Jardim

Vozes de Burro não chegam ao Céu.

A nova Lei das Finanças Locais imposta pelo Governo PS/Sócrates




Segundo Fernando Ruas, presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses, “a nova lei agrava as limitações da autonomia do poder local, traz prejuízos à coesão territorial e agrava as assimetrias e, como tal, é lesiva dos pequenos municípios”.
E os nossos autarcas do PS não poderiam dizer qualquer coisinha sobre as consequências dessa lei para o Município de Cuba? E, já agora, sobre o nosso país e os portugueses? E você, ainda tem dúvidas a quem não deve oferecer o seu voto e a sua confiança nas eleições legislativas?

Voltar a acreditar?! E voltar a ter mais do mesmo?!


Picasso

Pablo Picasso, Guernica, 1937



Diálogo entre Picasso e um oficial das SS Nazis em Paris, durante a ocupação alemã (1940), no decurso de uma rusga à casa do pintor espanhol e perante o quadro “Guernica”:


- Foi o senhor que fez isto? – perguntou rispidamente o oficial nazi, apontando para o quadro.

Sem perder a compostura, Picasso respondeu:

- Não! Foram os senhores que o fizeram!

quarta-feira, julho 15, 2009

Franz Marc

Franz Marc, Os pequenos cavalos amarelos, Estugarda, Staatsgalerie Stuttgart




Franz Marc, co-editor do almanaque do “Blauer Reiter” juntamente com Augusto Macke e Wassilly Kandinsky, é considerado o mais célebre pintor de animais da arte moderna.

O quadro Os pequenos cavalos amarelos evoca uma utopia sagrada. Marc adere às ideias de harmonia paradisíaca compondo a representação de animais segundo as regras tradicionais do retrato.

Marc coloca os cavalos de elegantes formas elípticas entrelaçados e transbordantes de uma força elementar circular no interior de uma paisagem cósmica e, ao mesmo tempo, num campo de força individual.

Nenhuma linha é supérflua, cada superfície de cor possui uma qualidade simbólica: o azul representa o “princípio masculino rude e espiritual” que joga com o amarelo, princípio feminino, doce, alegre e sensual. O vermelho representa a matéria “brutal e pesada” que é combatida pelo azul e o amarelo que o vencerão.

As experiências artísticas no interior do Blauer Reiter e a confrontação com Robert Delaunay, aumentam o grau de abstracção da sua pintura e a sugestividade da sua paleta cromática.

Norbert Wolf, Expressionismo, Edições Taschen (adaptação)

Manuel da Fonseca e o romance “Seara de Vento

O romance “Seara de Vento” inspira-se num acontecimento verídico que ocorreu na aldeia da Trindade (Beja), facto marcante que ainda hoje integra o imaginário da população da freguesia. Manuel da Fonseca descreve um episódio ocorrido em 1932, nessa aldeia, o assassinato de António Dias Matos, operário agrícola, pela GNR.
Este crime constituiu um aspecto da aliança entre o Estado fascista e os grandes latifundiários, contra a dignidade do operariado agrícola alentejano.
Há uma geração de escritores portugueses que integraram o “Novo Cancioneiro” (Manuel da Fonseca, Carlos de Oliveira, Fernando Namora, Mário Dionísio, João José Cochofel, Joaquim Namorado, Armindo Rodrigues, Alves Redol e Soeiro Pereira Gomes, entre outros) sobre os quais se abateu um tenebroso “manto de silêncio”. É como se fossem escritores menores. E, no entanto, na companhia de José Gomes Ferreira, Jorge de Sena, Manuel Alegre, Ramos Rosa, entre tantos, iluminaram a nossa literatura nos “anos de chumbo” do salazarismo!
Manuel da Fonseca, um dos maiores nomes literários do Alentejo, publicou o romance “Seara de Vento” em 1958. Inicialmente pensado para se chamar “Tempo de Lobos”, o autor decidiu modificar o título após conversa com o escritor Aquilino Ribeiro – precisamente quando este ia publicar “Quando os lobos uivam”.
“Seara de Vento” é, sem dúvida, uma das obras literárias portuguesas mais bem importantes do século XX.
O seu valor está longe de ser estritamente documental ou de mera erudição para todos aqueles que estudam as correntes literárias mais importantes da escrita ficcional portuguesa do século passado, constituindo um extraordinário testemunho do “tempo” de repressão, fome, humilhação e privação de direitos nos campos do Sul de Portugal, que foi exemplarmente “retratado” e denunciado por Manuel da Fonseca.

alfa


Manuel da Fonseca, Seara de Vento, 1ª edição (1958)


terça-feira, julho 14, 2009

Noites na Nora

Virgem Suta no Espaço da Nora


Uma organização da companhia de teatro BAAL 17, “Noites na Nora” decorre de 10 de Julho a 1 de Agosto, de Terças a Domingos, num espaço de beleza única, no início do Aqueduto da cidade de Serpa, nas traseiras da velha Nora que dá nome ao próprio Festival.
Num espaço intimista (cerca de 200 pessoas), e enquadrados pela beleza do espaço, pretende-se que os espectáculos apresentados sejam acontecimentos únicos. “Noites na Nora” apresenta teatro, conversas com artistas, cinema, música, dança, marionetas e os resultados das residências artísticas que decorrem paralelamente ao festival. E se na maior parte destas formas artísticas, nomeadamente o teatro, os espectáculos já recebem um público fiel de ano para ano, é na música que o Festival oferece mais surpresas para um público heterogéneo. Desde a primeira edição que se apostou na música como veiculo publicitário para o próprio Festival. Assim, e pondo de parte os nomes sonantes do panorama musical que não se coadunam com o intimismo do espaço, Noites na Nora recebeu artistas de vanguarda cujas carreiras se adivinhavam em ascensão: Deolinda, Rita Red Shoes, Legendary Tiger Man, Dead Combo, Couplle Coffe e já nesta 10 edição os Casino Royal e Madame Godard; e artistas de renome que aqui apresentam os seus trabalhos em condições únicas: Celeste Rodrigues, Jorge Palma, José Cid, Lula Pena, Tiger Lillies e, neste ano, Simone de Oliveira e Nuno Feist, Maria João e José Peixoto, entre outros. Seguindo uma política que defende que o acesso à cultura não é para quem pode mas para quem quer, o preço das entradas é meramente simbólico. E quem entra no espaço da Nora pode ser um grupo de jovens da cidade de Serpa, como uma família de turistas de passagem, mas também a velhota da rua que vem acompanhar o seu neto para ver Dumba la Canalla. Em última análise, é para o público que se realiza este Festival Cultural. Para um público conhecedor que tem vindo a descobrir o espaço ao ar livre mas à porta fechada como se de um segredo bem guardado se tratasse. Um segredo que, hoje ao comemorar 10 edições, se quer partilhar também consigo.


in Noites na Nora



Devo dizer que fiquei apaixonado pelo espaço. Fui o ano passado ver Rita Red Shoes e acho que não assistirei a outro concerto da artista num espaço tão apropriado. Aliás, já assisti a um outro concerto dela e, sem dúvida alguma, o Espaço da Nora e o ambiente por ele criado dão outra magia à Arte. Esta edição das Noites na Nora começou no dia 10 deste mês e quem quiser informar-se sobre o programa das festividades basta aceder ao seu blogue.

Sophia


Sophia de Mello Breyner Andresen




Esta gente cujo rosto
às vezes luminoso

e outras vezes tosco

Ora me lembra escravos

ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
de luta e de combate
contra o abutre e a cobra
o porco e o milhafre

Pois a gente que tem
o rosto desenhado
por paciência e fome
um país ocupado
escreve o seu nome

E em frente desta gente
ignorada e pisada
como a pedra do chão
e mais do que a pedra
humilhada e calcada

Meu canto se renova
e recomeço a busca
dum país liberto
duma vida limpa
e dum tempo justo.



Sophia de Mello Breyner

segunda-feira, julho 13, 2009

Caminante

José Boldt, Homem a correr na praia, Ericeira





Caminante, son tus huellas

el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.

Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.

Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.


Antonio Machado

domingo, julho 12, 2009

Foto in deviantArt





Não tenhas medo do amor. Pousa a tua mão
devagar sobre o peito da terra e sente respirar
no seu seio os nomes das coisas que ali estão a
crescer: o linho e genciana; as ervilhas-de-cheiro
e as campainhas azuis; a menta perfumada para
as infusões do verão e a teia de raízes de um
pequeno loureiro que se organiza como uma rede
de veias na confusão de um corpo. A vida nunca
foi só Inverno, nunca foi só bruma e desamparo.
Se bem que chova ainda, não te importes: pousa a
tua mão devagar sobre o teu peito e ouve o clamor
da tempestade que faz ruir os muros: explode no
teu coração um amor-perfeito, será doce o seu
pólen na corola de um beijo, não tenhas medo,
hão-de pedir-to quando chegar a primavera.



Maria do Rosário Pedreira

A carteira do alentejano

Foto alfa – Para os lados da Nossa Senhora da Represa (Vila Ruiva-Cuba)




Muitos teimam em ver no Alentejo uma terra árida de religião, sem a capacidade da fé o chamamento do misticismo. É falso. O alentejano tem a fé dentro de uma carteira de plástico. O alentejano é o único ser do mundo que, sem conflitos existenciais e ideológicos, é capaz de trazer na carteira, ao lado do Bilhete de Identidade e da licença do rafeiro, o cartão do Partido Comunista e uma gravura de Nossa Senhora das Relíquias.

Abrir a carteira do alentejano é descobrir-lhe a própria alma. E desvendar-lhe as entranhas. Na carteira do homem das planícies está, como rã dissecada no mármore de bioquímico, a revelação de uma fé maior. O alentejano acredita "haver alguém a mandar nisto tudo" - e alarga o gesto a abraçar o mundo. Mas Deus não é para ele figura de altar. Deus é o que o alentejano sabe estar no crescimento do trigo e na fartura do azeite. Sóbrio em tudo, também na relação com o metafísico, o alentejano é avaro de exteriorização. Deus: questão que o alentejano tem consigo mesmo. O alentejano privatiza Deus, carrega, sem espectacu­laridades, uma religiosidade cósmica e, sobretudo, instintiva. Qualquer coisa que vem dos abismos do tempo.

Ironizava Manuel da Fonseca, nos anos 40, que os homens do Alentejo não entravam na igreja "só por serem obrigados a tirar o chapéu". O alentejano não sabe rezar, nem aprendeu a benzer-se. Em vez disso canta. A única missa a que os homens fazem questão de não faltar é a do Galo, na noite de Natal, mas só "para ouvir os cantores". Ainda pelo Natal, os alentejanos cantam "ao menino". Depois dele, vão de porta em porta cantar "os reis".

Manuel Ribeiro plantou no romance A Planície Heróica um padre a quem os paroquianos só pedem que "trate da sua courelazinha de trigo". Há alguns anos, em Serpa, a procissão fez-se sem padre. Em Beja, o bispo queixava-se ao Diário do Alentejo de ter "a mais pobre diocese do país". O seminário local está às moscas. Para a Igreja o Alentejo é ainda "terra de missão".

Mas os casais casam catolicamente e gostam de baptizar os filhos. Respeitam os santos, a Igreja e as suas manifestações. No entanto, recusam-se a "embarcar na conversa de padres". Ir à Igreja é "coisa de mulheres". E, mesmo estas, indo à missa mais do que meia dúzia de vezes por ano, passam a integrar o rol da "beatagem". O rebanho das "mal governadas", que, "em vez de tratarem da casa, não se tiram de baixo das saias dos santos". O maior azar de um marido, depois de mulher adúltera ou de "mau governo", é casar com uma beata.

Contudo, durante a guerra colonial, o Santuário da Senhora d'Aires, em Viana do Alentejo, encheu-se de ex-votos. A Nossa Senhora da Conceição recebe anualmente milhares de peregrinos em Vila Viçosa e os agricultores dos campos de Mértola e de Castro Verde acendem velas a Senhora de Aracelis, milagreira da chuva.

Há procissões em todas as aldeias. As mulheres integram o cortejo, com vestidos estreados, e os filhos, pela mão, trajados de anjinhos: os homens ficam aos cantos. Tiram o chapéu à passagem da padroeira e seguem depois o desfile atrás da música.

Por instintos que a história lavrou, o Alentejo desconfia da Igreja. Afinal, na lonjura dos séculos XII e XIII, o corcel cristão da chamada Reconquista deu à cruz a forma de uma espada. E, na centúria de seiscentos, a Inquisição de Évora foi, de todas, a que mais lenha juntou para os autos-de-fé. E ainda recentemente, durante o Estado Novo, a Igreja pouco terá feito para se demarcar dos velhos senhores das herdades e das vilas.

Pedro Ferro, in Público, 4 de Setembro de 1993



sábado, julho 11, 2009




Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria
história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...


Fernando Pessoa

sexta-feira, julho 10, 2009

Alemães de Leste preferem RDA

A maioria dos alemães de Leste continua a preferir o regime socialista da RDA à nova ordem capitalista instaurada a partir de 9 de Novembro de 1989, com a simbólica demolição do muro de Berlim. Segundo uma sondagem do Instituto Emnid, publicada na sexta-feira, 26, no jornal Berliner Zeitung, a maioria dos inquiridos considera que a antiga República Democrática Alemã (RDA) tinha «mais aspectos positivos que negativos».Num universo de 1208 pessoas, 49 por cento dos inquiridos no Leste do país responderam que «havia alguns problemas, mas globalmente vivíamos bem». Se juntarmos os oito por cento que responderam que «na RDA havia sobretudo aspectos positivos e que vivíamos felizes e melhor do que na Alemanha reunificada de hoje», concluímos que, passados 20 anos de anexação, 57 por cento da população da ex-RDA continua a defender o socialismo.O governo alemão tentou desvalorizar as conclusões da sondagem, dando a entender que tudo se resume a um problema de informação. Wolfgang Tiefensee, delegado do governo federal para a reconstrução do Leste alemão, afirmou que os resultados «provam que tem de se continuar a falar sobre a história da RDA».Tiefensee propôs então que as escolas falem mais do quotidiano que existia na Alemanha de Leste e da chamada «revolução pacífica» de 1989/1990. Por outras palavras, este responsável considera que é preciso insistir na propaganda para se poder apagar a memória de um povo. Talvez tenha razão, mas será preciso esperar mais algum tempo, pelo menos enquanto se mantiverem as actuais condições de vida que não resistem a uma mera comparação com as existentes há 20 anos.De facto, a «modernização» capitalista da RDA redundou numa das maiores taxas de desemprego da Europa (13,2%), quase o dobro da registada nos estados de Oeste. E com o agravamento da crise, a situação social não tende a melhorar.

Fatenah


Fatenah é a história de uma mulher da Faixa de Gaza cujo do sonho de encontrar um amor e levar uma vida dita normal é destruído no dia em que lhe é diagnosticado um cancro. Baseado numa história verídica, este filme retrata as dificuldades vividas pelos residentes nesta dura zona do globo. Primeiro filme de animação palestiniano quer mudar a forma como se olha para o conflito no Médio Oriente


In euronews

quinta-feira, julho 09, 2009

Dave Matthews Band

Ao fim de quase 20 anos a mergulhar canções pop-rock na tradição folk, country e blues, Dave Matthews é, aos ouvidos de qualquer melómano, tão americano como o baseball ou o dólar. Mas foi em Joanesburgo, na África do Sul, que o líder democrático da Dave Matthews Band nasceu, há 42 anos. A profissão do pai, físico de formação e funcionário da IBM, obrigou-o a viajar por Inglaterra e pelos Estados Unidos, onde acabou por fixar-se, na juventude, passando os primeiros anos de "civil" a ganhar a vida como empregado de bar. "Nunca tive tanta motivação para servir uma boa bebida como tenho para dar um bom concerto. Quando era empregado de bar, a minha motivação era aniquilar as pessoas. Enchia bem os copos", recordou anos mais tarde, numa entrevista à revista Spin. Foi atrás do balcão que Dave Matthews encetou os primeiros contactos rumo à concretização de uma ambição que, apesar de sonhar com os Beatles "desde os cinco anos", nunca verbalizara: fazer da música o seu ganha-pão. Carter Beauford, baterista, e LeRoi Moore, saxofonista falecido no ano passado, foram os primeiros a juntar-se a este ensemble de baptismo involuntário. Terá sido LeRoi Moore que, certa vez, ao telefonar para um bar a marcar uma actuação, disse à voz do outro lado da linha que anotasse na agenda apenas o nome "Dave Matthews". O funcionário decidiu acrescentar a palavra "Band", longe de imaginar que acabara de inventar uma das marcas mais reconhecíveis e rentáveis da música feita na América, nas duas décadas que se seguiriam.
O palco foi, desde a primeira hora, o maior aliado da Dave Matthews Band, a cuja formação se juntariam o baixista Stefan Lessard e o violinista Boyd Tinsley. Mais de metade do primeiro álbum do grupo, Remember Two Things, de 1993, foi gravado ao vivo, espelhando a importância dos concertos no crescimento da banda. Apesar do estatuto absolutamente independente da Dave Matthews Band, Remember Two Things foi comprado por todos os estudantes universitários que, através de espectáculos ao vivo e da forte presença nas rádios das faculdades, o grupo tinha impressionado. Nos Estados Unidos, o disco chegou à platina e abriu o caminho para um percurso de vendas generosas, aclamação crítica e prémios Grammy - de 1994 a 1998, com os álbuns Under The Table and Dreaming, Crash e Before These Crowded Streets, a Dave Matthews Band escreveu muitas das suas melhores canções ("Ants Marching", "#41" "Don't Drink The Water"), firmando-se também como um grupo popular na Europa.
Numa entrevista recente, Dave Matthews admite que, nos anos que se seguiram a inspiração foi de diferente ordem: "Os primeiros três discos que fizemos tinham a energia de uma banda no seu momento mais saudável. Depois disso, parecia que nos juntávamos todos e éramos apenas os músicos a tocar naquele disco", explicou a um jornal de New Orleans, onde o novo Big Whiskey and the GrooGrux King foi gravado. Ironicamente, foi pouco antes da morte de LeRoi Moore, vítima de um acidente de motoquatro, que a velha energia do grupo de Charlottesville, na Virgínia, voltou a abençoá-los. "O momento em que voltámos a apaixonar-nos uns pelos outros em palco aconteceu no seu último ano. Não sei se era por lealdade ou por fé que acreditávamos que iria voltar... mas voltou quando o LeRoi ainda lá estava".



Texto de LIA PEREIRA in Blitz

Goya

Francisco de Goya, O Três de Maio de 1808, 1814, Madrid, Museu do Prado



A 3 de Maio, na Espanha ocupada pela França de Napoleão Bonaparte, cerca de 400 espanhóis presos no dia anterior e acusados de revolta contra o exército francês, foram executados pelos pelotões de fuzilamento.
No quadro, apenas as vítimas estão iluminadas e podem ser reconhecidas como pessoas que encaram a morte. Os soldados são figuras anónimas. Cada vítima tem gestos diferentes – as mãos fechadas em punho, juntas em oração, a tapar a cara ou totalmente afastadas como Cristo crucificado.
Esta pintura tornou-se um símbolo nacional da resistência espanhola.


Rose-Marie & Rainer Hagen, Goya, Edições Taschen

quarta-feira, julho 08, 2009

Porque sim!

Fazer da cal o bilhete de identidade. Comer o primeiro u de Augusto. Às Marias chamar Bias. Petiscar ao fim do dia. Acreditar em Deus e no Partido Comunista. São coisas de alentejanos.
Explicar Deus como “alguém que manda” nisto. Casar pela Igreja. Baptizar os filhos. Ser indiferente à missa. Não faltar à procissão. Desprezar a confissão. Cantar ao Menino pelos Reis. Chamar magana à morte. Dizer dos familiares que lhe morreram: “o meu pai que Deus tem” ou “a minha Joaquina que Deus tem”. Tirar o chapéu diante do cemitério. Temer as trovoadas como os gauleses do Astérix. Benzer o pão antes de entrar no forno. Não derramar azeita. São coisas de alentejanos.
Estar apaixonado quando está triste. “Andar atrás de” quando está apaixonado. Chamar boda ao casamento e ao copo d’água função. Anteceder os nomes dos filhos do pronome possessivo meu ou minha: o meu João, a minha Ana. Da mulher dizer apenas “a minha”, ignorando-lhe o nome. Não ter trambelho para os trabalhos domésticos. Enforcar-se quando se vê viúvo. São coisas de alentejanos.
Ver cair a geada. Chamar charoco ao frio e busaranho ao vento gelado. Dizer que está aspereza quando há temporal. Ao Sol chamar “o astro”, como se fosse o único no céu. Ao calor chamar calma. Viver com o Suão. Chamar às planuras descampados. Cerros aos outeiros. À floresta arvoredo.
Olhar o horizonte e saber ter vagar. Dizer: estou à espera de me ir embora. Declarar com solenidade: devagar que tenho pressa. Abalar no comboio da Cuba. A Lisboa chamar aldeia grande. Ter parentes na Brandoa. São coisas de alentejanos.
Estar de roda do lume. Sentar no chão para conversar. Parar no largo ao olhinho do sol. Ter sempre a navalhinha petisqueira no bolso das calças. Condutar o pão, o vinho e a vida. Beber só em companhia. Cantar quando os outros também cantam. À seca chamar desgraça. Querer a barragem de Alqueva. São coisas de alentejanos.
Porque sim!

Pedro Ferro, in Público, 9 de Outubro de 1995

terça-feira, julho 07, 2009

2.550.000.000,00 €

Assim mesmo, com estes zeros todos. Convido-o a fazer as contas. Como entender. De cabeça. Ou com a máquina de calcular. Mas faça.

Foi o que alguns roubaram aos accionistas, depositantes e credores do Banco Português de Negócios (BPN).

E foi o que o Governo PS/Sócrates roubou aos contribuintes portugueses para cobrir aquele roubo. Pensando que uma mão lava a outra mão!
E, perante tamanha vigarice, permito-me perguntar: ainda assim vai haver quem vote neles?!

Ainda haverá quem goste de ser burlado, enganado, tramado, ludibriado, zombado, assim desta maneira, sem um pingo de vergonha na cara, por um primeiro-ministro que utiliza o dinheiro de todos os portugueses como se fosse seu?



alfa

segunda-feira, julho 06, 2009

Esclarecimento




Polémica: Presidente do Mineiro Aljustrelense (Hélder Vairinhos) desmente PCP

"Pinho não entregou cheque ao Clube"

in Correio da Manhã



No passado dia 14 de Fevereiro noticiou a Agência Lusa
que “Manuel Pinho vai assistir domingo ao jogo da 2ª Divisão B entre o Sporting Clube Mineiro de Aljustrel e o Torreense, onde será homenageado “pelo seu papel no encontro de uma solução para as minas”. Afirmava a Lusa que “Segundo fonte do Ministério da Economia, o ministro Manuel Pinho foi convidado para assistir ao jogo do Clube Local “como forma de agradecimento pelo seu papel no encontro de uma solução para as minas” de Aljustrel” e que “O ministro irá por sua vez, oferecer equipamentos desportivos à equipa de Aljustrel, acrescentou a mesma fonte, sublinhando que a iniciativa está a ser coordenada pelo governador civil de Beja”.


Na mesma notícia, informava a Agência Lusa que o dirigente do Sindicato Mineiro Jacinto Anacleto, declarava desconhecer tal homenagem e que a Câmara Municipal também nada sabia sobre a mesma.


No dia 16 de Fevereiro, no decorrer do jogo de futebol entre o Sport Clube Mineiro Aljustrelense e o Sport Clube UniãoTorreense, foi anunciado que se encontravam no estádio não o Senhor Ministro da Economia e Inovação para ser homenageado e o Senhor Governador Civil como coordenador da iniciativa mas os senhores Dr. Manuel Pinho e General Manuel Monge na qualidade de simples cidadãos.


No decurso do jogo foi entregue ao cidadão Manuel Pinho, pela Direcção do Sport Mineiro, uma camisola do Clube que havia sido prometida ao Ministro da Economia e Inovação o qual, por sua vez, não se sabe se na qualidade de Ministro da Economia e Inovação, se na qualidade de representante da EDP, anunciou a oferta da EDP de cinco mil euros destinados à aquisição de novos equipamentos para o Sport Clube Mineiro Aljustrelense.


Ou não fizesse aquele senhor parte de uma direcção do Clube, cujo vice-presidente é o recandidato pelo PS à Câmara Municipal de Aljustrel!!! Há informações que devem ser dadas nas noticias para melhor as compreendermos.




domingo, julho 05, 2009

France Hyères, 1932, National Gallery of Canada, Ottawa








Estrada de vida
desolada
crua e lisa,
talvez suspensa.
Estrada lisa,
deserta,
- rumo de mar, leme incerto.

alfa