Aqui posto de comando do Movimento das Palavras Armadas.

segunda-feira, janeiro 31, 2005

"Não há almoços gratis"

(…)

Não há qualquer dúvida de que grande parte do que os bloquistas dizem é brilhante, inovador e, sobretudo, tem muita graça. Os jornalistas estão pelo beicinho. Pode mesmo dizer-se que o Bloco de Esquerda é sobretudo uma construção mediática. A imprensa adora-os, enquanto acha, por exemplo, que o PCP é sempre bafiento, confuso e antiquado. Os comunistas são talvez quem tenha, aqui, mais justas razões de queixa. Sendo concorrentes directos e com uma representatividade múltipla, mesmo após a descida (mantêm quase o triplo dos votos e o quádruplo dos deputados), foi-lhes dada uma cobertura jornalística muito menor e sempre hostil.

(…)

Mas a grande vantagem política do BE é a de gozar de confortável posição de «minoria absoluta», como dizia o seu antigo lema. Como, o que quer que aconteça, não pensam ter responsabilidades de Governo, podem propor as ideias mais loucas, os projectos mais radicais, sem nunca terem de pensar nos seus reais custos ou efeitos. Dizem o que lhes apetece, atacam quem lhes agrada, denunciam o que querem, sem sofrerem consequências. Várias vezes usaram esta qualidade para dizerem coisas sensatas e difíceis, expondo erros graves e abusos importantes. Mas, normalmente, etilizaram-na apenas para terem graça e ganhar votos na juventude e nos desiludidos do sistema, aliás, crescentes. Usam o valor sempre inestimável da completa irresponsabilidade.

Tudo isto gerou condições preciosas para a sua afirmação. A única surpresa é que tenham crescido tão pouco. Mas, mais precioso ainda, o ambiente permitiu-lhes evitar sempre a clarificação ideológica. Porque, é preciso dizer, toda a existência do Bloco de Esquerda se baseia num grande equívoco e incongruência. O mais notável é que ele tenha sobrevivido tantos anos, sem nunca ter de responder às perguntas centrais respeitantes à sua identidade.

Nunca existiu em Portugal um partido com maior disparidade entre a doutrina que perfilha e a origem sociológica e vida concreta dos seus apoiantes. Os votantes e dirigentes do Bloco de Esquerda afirmam-se defensores dos valores da esquerda mais pura e radical, e, no entanto, são universitários que nunca falaram com um operário e só conhecem os bairros de lata pelas fotografias da National Geographic.

São o contrário do que dizem ser. Odeiam as multinacionais, mas vestem camisolas GANT, ténis Nike, usam Swatchs e frequentam o McDonald’s. Vão para as manifestações contra a globalização com telemóveis finlandeses, perfume francês e walkmans «made in china». Se fosse criada a «taxa Tobin», o imposto sobre grandes fortunas, alguns veriam efeitos desagradáveis nas mesadas. Consideram horrível «este sistema», em que participam plenamente vendo a SIC Radical, vestindo roupa de marca, lendo revistas da moda e beneficiando de todos os confortos da média e alta burguesias, a que pertencem plenamente.

Esta incongruência é parte central do seu encanto. O PS defende a reforma do sistema actual; o PCP, o PEV, o PCTP/MRPP e o POUS querem um outro modelo concreto. O Bloco é a utopia, o ideal, o sonho. E, sobretudo, é muito cómico.




João César das Neves

In “Diário de Notícias”

25 de Março de 2002

terça-feira, janeiro 25, 2005

Será que caiu a máscara?!

Depois das interpelações de Louçã a Paulo Portas no debate da SIC-notícias, todos começamos a compreender melhor como se constrõem opiniões no interior do BE. Pelo que deve ser qualquer coisa do género: Se nunca trabalhaste não podes dar a tua opinião sobre os direitos dos trabalhadores, se nunca foste verdadeiramente pobre não podes opinar sobre o combate à pobreza e por fim se nunca geraste uma vida não podes opinar sobre a questão do aborto. Como terá então o BE formado uma opinião sobre estas matérias?! Todos nós sabemos que a maioria dos militantes e simpatizantes do BE pertencem a uma classe média-alta, que nunca conheceram a pobreza – bem pelo contrário –, que apenas trabalham no sector terciário e muitas vezes com profissões liberais e que têm muitas das vezes tendências sexuais duvidosas. Terá aqui a minoria das minorias daquele partido impedido a maioria dos seus militantes de darem a sua opinião?!

Não bastava aquela atitude hipócrita, senão ainda as palavras infelizes do deputado Teixeira Lopes do BE, que disse qualquer coisa como: aquela atitude foi uma reacção à atitude incoerente de Portas que defende os ideais da direita tradicional e no entanto não os pratica. Então eu pergunto: deve-se responder à incoerência com incoerência?! Não terá sido o infantil Louçã incoerente ao atacar daquela forma uma pessoa que se insere num dos grupos minoritários da sociedade, que o BE orgulhosamente defende?! O que dirão os homossexuais que nunca geraram nem nunca gerarão uma vida, ao não lhes ser reconhecido (pelo BE) o direito à opinião sobre um tema que afecta a sociedade?! Continuando assim, o Louça arrisca-se a não poder participar na próxima parada gay…

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Onde estão eles?! (se calhar na tua terra está um!)

Em reacção às declarações de Mário Soares no programa televisivo “Prós e Contras” da RTP, no qual o mesmo afirmou que “faz-se muito elogio do poder local, mas passa hoje muita corrupção por ele”, o presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Fernando Ruas, desafiou o ex-presidente a revelar os nomes dos autarcas corruptos, dos quais este tem conhecimento.

Para confirmar aquilo que foi dito pelo ex-presidente Mário Soares, Nuno Cardoso – ex-autarca pelo PS na C.M do Porto – foi constituído arguido por suspeita de favorecimento ao F.C Porto. Depois de Fátima Felgueiras (PS) e das investigações pela Polícia Judiciaria à C.M da Amadora (PS), foi agora a vez de Nuno Cardoso dar razão ao sapiente ex-presidente. Afinal, o PS devia dar mais ouvidos a Mário Soares e “ser(em) responsável quanto às escolhas que faz(em) em relação aos candidatos às autarquias”.

Quanto à exigência de Fernando Ruas, não é preciso que Soares responda, pois o tempo encarregar-se-á de os revelar.

terça-feira, janeiro 18, 2005

A resposta será o comodismo?!

Que fazer?Um sexto da população mundial vive com menos de 1 euro por dia

840 milhões atingidos por fome crónica

584 milhões são mulheres analfabetas

6000 milhões é a população do Mundo



Este foi o título da primeira página do Jornal de Notícias de ontem (18/01/2005)







Cuba é exemplo em prevenção de riscos por furacões, afirma a ONU.

Cuba é um exemplo na prevenção de riscos por furacões e o seu modelo pode ser aplicado a outros países com condições económicas similares ou melhores que não conseguem, mesmo assim, proteger sua população com tanta eficácia como a Ilha, realçou um funcionário das Nações Unidas.

Salvador Briceno, director do Instituto para a Redução de Desastres da ONU, declarou que o caso cubano mostra como a vulnerabilidade pode ser reduzida com medidas de baixo custo, mas precisa-se de uma dose de determinação política.

O funcionário expressou que a baixa taxa de mortalidade causada pelos furacões em Cuba em relação a seus vizinhos, deve-se a que a população é informada e preparada nas escolas, universidades e centros de trabalho e sabe como enfrentar os desastres naturais.

sexta-feira, janeiro 14, 2005

E tu?!



“Em nenhum. Ter-se-ia que criar um novo partido contendo a imaginação do BE, a seriedade do PCP, a truculência do PS, os quadros do PSD e a viabilidade do CDS.”





Herman José

In Focus

(quando questionado em que partido se filiaria)

Esperemos que sim!

“(...) O Engenheiro Sócrates situa o seu PS “interclassista” rigorosamente ao centro e não à esquerda. Um hilariante «Cravo e Ferradura» de Bandeira, no «DN», talvez ajude a perceber melhor. Martins – de chapéu às três pancadas, casaco remendado e sapatos a pedir meias solas – avista Sousa – de gravata encarnada, «blazer» e camisa às riscas – ao lado da mulher, frente a uma ourivesaria. Martins avança de braços abertos, e exclama:«Sousa, grande pirata! Sou eu, o Martins! Andamos no mesmo escalão de IRS». Cheira-me que José Sócrates, ao invocar a «esquerda moderna» e «interclassista», só pensa no voto do Sousa e dá por adquirido o voto do Martins. A ver vamos se o PCP e o BE não lhe trocam as voltas. É que, hoje, em Portugal, há mais Martins do que Sousas!”



Alfredo Barroso

In Expresso

quinta-feira, janeiro 13, 2005

O homem que diz não se sabe bem o quê...

O homem fala, fala, fala… e ninguém o percebe, ou então todos o compreendem de forma errada! É que todos os dias, o pobre do homem aparece aflito a corrigir tudo aquilo que toda a gente disse que ele tinha dito, mas que afinal não foi bem assim. Das duas uma, ou o homem não sabe o que diz ou todas as outras pessoas têm dificuldades de compreensão!

Convenhamos que será a primeira possibilidade a que se verificará.

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Para que não se repita algo semelhante.

«Aos camaradas que me estão a ouvir eu peço que retenham na memória o que vou dizer. Se por nossa desgraça tivermos um governo só de socialistas, sem os comunistas, eu já vou dizer o que é que eles vão fazer. Não precisamos que eles nos anunciem. Se formarem governo sem os comunistas vão congelar salários. Vão dificultar a contratação colectiva de trabalho. Vão aumentar os preços. Vão agravar as condições de vida e de trabalho dos trabalhadores. Vão dar maiores lucros aos capitalistas. Vão restituir terras aos agrários. Vão restituir fábricas aos capitalistas que as sabotaram, que as conduziram à falência e que os trabalhadores conseguiram manter. Esta vai ser a política, se ficar um governo só de socialistas, sem comunistas.»
(Álvaro Cunhal, num comício na Companhia das Lezírias em 20 de Junho de 1976, antes da formação do 1.º governo constitucional, do PS, chefiado por Mário Soares. Formado um mês depois, esse governo aliou-se, de facto, à direita).

sábado, janeiro 01, 2005

Oferta dos USA para as vítimas do maremoto = 35 milhões Dólares;



Custo da cerimónia de investidura de Bush = 45 milhões de dólares;



Custo dos USA de um dia na guerra do Iraque = 177 milhões de dólares;