Aqui posto de comando do Movimento das Palavras Armadas.

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domingo, agosto 02, 2009

Homem, Abre os Olhos e Verás



Helen Frankenthaler, Playa, 1950





Homem,abre os olhos e verás

em cada outro homem um irmão.

Homem,as paixões que te consomem

não são boas nem más.

São a tua condição.

A paz,porém, só a terás

quando o pão que os outros comem,

homem,for igual ao teu pão.

Armindo Rodrigues

sexta-feira, julho 31, 2009

Paradoxo

Otto Dix, Retrato da Jornalista Sylvia von Harden, 1926



Dominamos os conhecimentos, através da ciência. Sabemos quais as causas, mas ignoramos as consequências. Temos o conhecimento, mas falta-nos a sabedoria que só é adquirida pela experiência!
Afinal, qual é a medida, de facto, do nosso conhecimento?

alfa





quinta-feira, julho 30, 2009

Vai alta no céu

Camille Pissarro, Os castanheiros em Osny, 1873




Vai alta no céu a lua da Primavera

Penso em ti e dentro de mim estou completo.

Corre pelos vagos campos até mim uma brisa ligeira.

Penso em ti, murmuro o teu nome; e não sou eu: sou feliz.

Amanhã virás, andarás comigo a colher flores pelo campo,

E eu andarei contigo pelos campos ver-te colher flores.

Eu já te vejo amanhã a colher flores comigo pelos campos,

Pois quando vieres amanhã e andares comigo no campo a colher flores,

Isso será uma alegria e uma verdade para mim.

Alberto Caeiro






quarta-feira, julho 29, 2009

Naquela noite, em Ourique!

Rogério Ribeiro, Estendia a Mão Larga e Espessa aos Recém-Vindos
(Serigrafia concebida pelo pintor para o romance de Manuel Tiago, Até Amanhã, Camaradas)

Naquela noite, em Ourique, as eleições para a Câmara não eram uma mera disputa política. Frente a frente estiveram duas culturas. Arrancadas à profundidade da história, emergiram numa só noite crispada as contradições que desde sempre cavaram o fosso entre o Portugal das miudezas e o Portugal universalista.
O Portugal da Inquisição e o do Padre António Vieira. De José Agostinho de Macedo e de Garrett. Ruralidade e cidadania - diante uma da outra, como galos a medirem-se. Nesse inverno de tensões à flor da pele, em Ourique.
A clivagem - nessa campanha eleitoral que despertou a atenção do país - foi transversal. A linha divisória dos dois campos estilhaçava o perímetro identificador dos partidos. Não era de política que se tratava: eram duas culturas que não se entendiam. Dum lado, os senhores de uma população de camponeses encurralados pelo isolamento geográfico. Do outro, um "estrangeirado": Francisco Felgueiras, rodeado apenas de quatro ou cinco crentes como ele - não mais. Um solitário. A quem o lugar era culturalmente hostil.
Os senhores da vila celebrizaram-se nesse Dezembro com uma palavra de ordem estreita e marialva: "ainda há homens em Ourique". Era a reacção instintiva de uma cultura hermética, serrana, temente da novidade e da mudança. Do outro lado dizia-se estradas e portões, saneamento básico e saúde, barragens e jardins de infância.
Naquela noite a contagem dos votos demorava. Noite nevosa. Encapotada num nevoeiro gordo a despegar-se das serranias escuras. Na rua formavam-se grupos. Nervos a estalar: cada um a conter o grito de triunfo ate ao instante supremo da explosão.
O homem da cidade ganhou as eleições. À tangente. Ganhou-as monte a monte. De galochas pelos caminhos enlameados da serra. Ganhou-as a conversar. A escutar. Explicando em voz grave.
Por uma unha negra as ganhou – terminando o mandato não tornou a candidatar-se. Dizia que "povo é povo em qualquer parte do mundo". Foi esta visão uniformizada que o deitou abaixo. A sua urbanidade sempre funcionou no microclima cultural e mental de Ourique - onde a planície alentejana acaba e começa a serra algarvia - como um anticorpo. A comunicação nunca se consolidou. Mas com o tempo o vencido tornou-se vencedor: Ourique nunca mais seria a mesma desde aquela noite de Dezembro de 82. Nessa noite os camponeses ficaram a saber que a sua vontade conta. Nunca ninguém lhes havia dito isso antes.
Francisco Felgueiras tropeçou na morte numa destas madrugadas. Morreu como viveu: só. Foi sepultado na Cuba. Nesse dia, mas exactamente dez anos antes, descia à cova Zeca Afonso. Ao "estrangeirado" de Ourique podiam lançar-lhe na campa qualquer jogral de Grândola.

Jornal Público, Primavera de 1997


domingo, julho 26, 2009

Reflexão sobre o exercício do poder a propósito do retrato do rei Luís XV

Luís XV, Rei de França e Príncipe de Andorra,
Conde da Provença, Conde de Diois, Conde de Valentinois,
Conde de Barcelona, Conde da Sardenha, Conde do Rossilhão,
Conde de Forcalquier e das ilhas adjacentes e Delfim de Viena







Por vezes, o exercício prolongado do poder faz o seu “ocupante” perder a sua própria identidade pessoal e assumir outra determinada pela "forma" e pelo “modelo” que assume o seu próprio poder.
Então, esse político protege-se da crítica reforçando pactos de auto-engano com seus colegas de partido. Reforçam a crença de que representam o Bem contra o Mal, recusam escutar os outros que lhe fazem a crítica e que poderiam norteá-lo para corrigir os seus erros e ajudá-lo a superar as suas contradições.



alfa

La Fura dels Baus

Clique na imagem para aceder ao site do Grupo



Grupo de teatro catalão que se notabilizou pelos seus espectáculos polémicos e visualmente poderosos. Fundado em 1979, começou por fazer espectáculos de rua, mas ganhou alguma projecção interna com a peça Lenguaje Furero (1983), que se inseriu num ciclo mais amplo de espectáculos a que apelidaram de Accions. Com estes espectáculos, imprimiram um novo conceito teatral alicerçado na utilização de numerosos recursos cénicos como música, dança, pirotecnia, uso de materiais naturais e interacção com o espectador, criando uma simbiose entre actor e autor, fundindo-se numa mesma criação colectiva. Em 1992, foram convidados para realizar a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Barcelona. Os pontos altos da década de 90 foram os seus espectáculos Fausto Version 3.0 (1998) e Ombra (1998) sobre o poeta Federico Garcia Lorca e que foi apresentado com grande adesão do público na Expo 98. (...)



sábado, julho 25, 2009

Henri Fantin-Latour (1836-1904)







De 26/06/2009 a 06/09/2009


Das 10h00 às 18h00


De Terça a Domingo


Galeria de Exposições da Sede






Primeiro em Lisboa, depois em Madrid, esta exposição, organizada em parceria com o Museu Thyssen Bornemisza, apresenta cerca de 60 pinturas e alguns desenhos preparatórios agrupados em várias secções distintas. Seguindo a cronologia de produção do autor, são mostrados: auto-retratos, cópias executadas pelo pintor no Louvre, retratos intimistas, naturezas-mortas da sua fase de juventude, estudos e leituras, retratos de artistas e escritores seus contemporâneos, bouquets de rosas e flores diversas, temas associados à música, retratos austeros e retratos familiares, temas simbolistas e, finalmente, naturezas-mortas da fase de maturidade.






Comissário: Vincent Pomarède (Museu do Louvre)




Entrada: 4€


Museu Calouste Gulbenkian

quinta-feira, julho 23, 2009

A permanente actualidade de Shakespeare


Alberto Giacometti
Praça, 1947-1948 Bronze
Peggy Guggenheim Collection, New York City




“Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e setas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
E em luta pôr-lhes fim?”



William Shakespeare, Hamlet






Há 400 anos que o solilóquio de Hamlet provoca debates. Alguns afirmam que a fala se refere ao eterno jogo instinto versus vontade. Outros, que o excessivo desenvolvimento do intelecto, do racionalismo, nos paralisa.
Ou será, antes, o sintoma da hesitação do homem que ganha a consciência de que seu destino não é previamente determinado, mas sim construído colectivamente?


alfa

quarta-feira, julho 22, 2009

O Alentejo tem uma História por contar!

Silva Porto, Colheita – Ceifeiras, 1893.


O Museu Etnográfico de Serpa exibe um curioso artefacto. É um cesto de vime em forma de cabaça: largo no fundo e estreito na boca. Um bonito cesto, dizem os visitantes. Raros sabem estar diante de um objecto concebido como instrumento de humilhação.
O cesto é do tempo em que se trabalhava de ar a ar nos campos do sul. Ar a ar e mais do que de sol a sol: pegava-se no trabalho à primeira tímida c1aridade do dia, antes do sol despontar e largava-se depois do sol-posto, ate já não haver mais luz.
O objecto servia para conter azeitonas postas pelo patrão para o comer dos ranchos. Cada trabalhador rural só podia servir-se uma única vez das azeitonas do cesto. Metia lá dentro a mão e trazia os frutos negros. Mas a boca do cesto é propositadamente esguia e estreita. Uma mão fechada sobre um punhado de azeitonas não cabe por ela. Assim, cada rural não conseguia apanhar mais do que duas ou três azeitonas que puxava mal equilibradas na ponta dos dedos. Os dedos alongavam-se sobre o magro conduto que, assim, ainda se tornava mais magro. Estas azeitonas eram, por vezes, o único acompanhamento que um homem tinha para a dentada de pão de trigo com que se alimentava no intervalo de um trabalho duro - de ar a ar. Eis a perfídia escondida atrás de um elegante cesto de delicado vime.
O mesmo cesto fazia parte de um tempo que uma já envelhecida geração de alentejanos se recusa a esquecer: o tempo em que um atraso de minutos na chegada ao local da monda, da ceifa, da tiragem da cortiça ou da safra da azeitona equivalia a que o feitor ou manageiro já não deixassem o trabalhador pegar no trabalho, perdendo este o dia de salário. Isto depois de ter palmilhado léguas e léguas para lá chegar.
O tempo em que os patrões não davam transporte e os rurais, mulheres e homens, iam a pé para as herdades, quilómetros e quilómetros, os cães a ladrarem-lhes aos caminhos, saindo estremunhados de casa a meio da noite, voltando embrutecidos de trabalho quando a lua se levantava no céu.
O tempo em que nem o cantar à noite era paliativo, porque o proibia a Guarda Republicana a golpes de cavalo-marinho.
O tempo em que o vinho sem petisco enganava a tristeza e a solidão das noites sem futuro e as bebedeiras pregavam partidas à fome.
O tempo em que os filhos não eram meninos, mas se agarravam ao sacho e à foice aos oito ou nove anos de idade, por vezes apenas a troco de miserável comida.
O tempo em que as intempéries prendiam os homens em casa não os deixando ganhar um só tostão. Era então, nos longos invernos de enxurrada, que as Casas do Povo organizavam uma espécie de sopa dos pobres para matar a fome a famílias em desespero.
O tempo em que um homem era levado para a cadeia entre dois guardas a cavalo por ter apanhado um punhado de bolotas para enganar a fome dos filhos. O tempo em que um braçado de lenha para a lareira doméstica apanhado num montado valia uma dose de bastonadas no posto da GNR a humilhante fama de ladrão.
O tempo em que um protesto, uma sugestão de discordância, um amuo valiam a um homem o epíteto de comunista e lhe dava direito a não ser aceite em nenhuma herdade devido à solidariedade dos agrários.
O tempo em que uma só sardinha alimentava pai, mãe e três ou quatro filhos. A chaminé era a bitola para a justa divisão da sardinha. Ficava com o lombo aquele cuja cabeça chegasse ao ponto mais alto da chaminé.
Esta é uma gesta que ainda está por escrever. Parece uma história inventada e, contada, há quem duvide. Mas era assim mesmo e há uma geração que não esquece.






in Público, 3 de Julho de 1994

sábado, julho 18, 2009

Instante

Basque Beach, Julho, 1958, Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Washington D.C.







No instante

o voo que se funde das aves

na esfera infinita,

na distância impossível,

feita luz,

feita azul,

no princípio do tempo

compõe lentamente o começo do Mundo.


alfa

sexta-feira, julho 17, 2009

António Carmo



«António Carmo é um dos mais surpreendentes casos da pintura contemporânea. Uma linha de coerência jamais quebrada ou interrompida associa-se, directamente, a uma ética muito pessoal, que lhe advém de um conhecimento muito profundo das coisas da vida e da vida das coisas. Por outro lado, a pintura de Carmo está povoada de infância: a dele e a dos outros — do povo a que pertence, do povo a que, obstinadamente, evoca, num procedimento cultural que abre novas fronteiras à nossa própria percepção do homem português. Porém, a arte de António Carmo não naufraga numa patética e vã forma de panfleto. Ele consolida a originalidade da sua pesquisa permitindo todas as passagens a todas as modalidades, sem deixar de ser fiel a si próprio. É evidente que as raízes em que aprofundou e tem aprofundado a sua inquirição artística podem ser encontradas nos conceitos do neo-realismo. Porém, ele desafia as intuições e as marcas do vocabulário neo-realista para reconstruir uma outra sintaxe pictórica, na qual o valor das cores se cumplicia com a firmeza do traço, e com o projecto a que se impôs de levar a pintura, a sua pintura, aos limites máximos da expressão [...]»

Baptista-Bastos

quinta-feira, julho 16, 2009

Picasso

Pablo Picasso, Guernica, 1937



Diálogo entre Picasso e um oficial das SS Nazis em Paris, durante a ocupação alemã (1940), no decurso de uma rusga à casa do pintor espanhol e perante o quadro “Guernica”:


- Foi o senhor que fez isto? – perguntou rispidamente o oficial nazi, apontando para o quadro.

Sem perder a compostura, Picasso respondeu:

- Não! Foram os senhores que o fizeram!

quarta-feira, julho 15, 2009

Franz Marc

Franz Marc, Os pequenos cavalos amarelos, Estugarda, Staatsgalerie Stuttgart




Franz Marc, co-editor do almanaque do “Blauer Reiter” juntamente com Augusto Macke e Wassilly Kandinsky, é considerado o mais célebre pintor de animais da arte moderna.

O quadro Os pequenos cavalos amarelos evoca uma utopia sagrada. Marc adere às ideias de harmonia paradisíaca compondo a representação de animais segundo as regras tradicionais do retrato.

Marc coloca os cavalos de elegantes formas elípticas entrelaçados e transbordantes de uma força elementar circular no interior de uma paisagem cósmica e, ao mesmo tempo, num campo de força individual.

Nenhuma linha é supérflua, cada superfície de cor possui uma qualidade simbólica: o azul representa o “princípio masculino rude e espiritual” que joga com o amarelo, princípio feminino, doce, alegre e sensual. O vermelho representa a matéria “brutal e pesada” que é combatida pelo azul e o amarelo que o vencerão.

As experiências artísticas no interior do Blauer Reiter e a confrontação com Robert Delaunay, aumentam o grau de abstracção da sua pintura e a sugestividade da sua paleta cromática.

Norbert Wolf, Expressionismo, Edições Taschen (adaptação)

quinta-feira, julho 09, 2009

Goya

Francisco de Goya, O Três de Maio de 1808, 1814, Madrid, Museu do Prado



A 3 de Maio, na Espanha ocupada pela França de Napoleão Bonaparte, cerca de 400 espanhóis presos no dia anterior e acusados de revolta contra o exército francês, foram executados pelos pelotões de fuzilamento.
No quadro, apenas as vítimas estão iluminadas e podem ser reconhecidas como pessoas que encaram a morte. Os soldados são figuras anónimas. Cada vítima tem gestos diferentes – as mãos fechadas em punho, juntas em oração, a tapar a cara ou totalmente afastadas como Cristo crucificado.
Esta pintura tornou-se um símbolo nacional da resistência espanhola.


Rose-Marie & Rainer Hagen, Goya, Edições Taschen

segunda-feira, junho 29, 2009

Amor

Vermeer, Mulher de Azul Lendo uma Carta, c. 1662-64

Eternas promessas de amor:

…seremos em cada pôr-do-sol uma dádiva de amor, uma carícia à morte eternamente adiada…
alfa

domingo, junho 28, 2009

Velha fritando ovos

Velázquez, Velha fritando ovos, 1618, Edimburgo, National Gallery of Scotland
A Velha fritando ovos, 1618, mostra uma cozinheira idosa, sentada diante de um pequeno fogareiro no chão, a fritar ovos sobre um fogo de carvão. Os seus traços gastos, mas impregnados de nobreza, sob o lenço, pintados com pinceladas rápidas estão marcados por uma vida bem recheada.
Uma grandeza solene e meditativa caracteriza a mulher, e o garoto com um melão que estende uma garrafa de vinho observa-nos com uma gravidade semelhante. A representação de idades diferentes da vida recorda-nos o carácter precário das coisas.
O ovo na mão da mulher evoca, numa associação conhecida na época, a instabilidade das coisas terrestres e uma existência no além. Um tom sombrio, indefinível, substitui o espaço muitas vezes sobrecarregado dos interiores das cozinhas holandesas.
Norbert Wolf, Velázquez, edições Taschen

sábado, junho 27, 2009

Picasso, Mulheres correndo na praia, 1922, Musée Picasso, Paris




Do azul, perto das águas,
Me regresso.
Talvez ao descer sobre o mar
Embarque
Buscando o mais puro silêncio
Na ilha dos corais.




alfa

quarta-feira, junho 24, 2009

O tempo do martírio

Malangatana Valente, Amor Verde



O Branco matou o meu pai
O meu pai era orgulhoso
O Branco violou a minha mãe
A minha mãe era bela
O Branco curvou o meu irmão sob o sol dos caminhos
O meu irmão era forte
O Branco virou para mim
As suas mãos rubras de sangue
Negro
E com a sua voz de Senhor
Eh, boy, uma cerveja, um guardanapo, água!




David Diop (Poeta Senegalês)

terça-feira, junho 23, 2009

Vermeer, Rapariga com brinco de pérola, Rijksmuseum, Amsterdam



Na solidão remota
Num tempo suspenso
Na inteireza do olhar
Que encurta a distância.


alfa


segunda-feira, junho 22, 2009

mudança...

Man Ray «Noire et Blanche», 1926 - Man Ray Trust Collection






escrevo mediterrâneo
na serena voz do Índico
sou do norte
em coração do sul
na praia do oriente
sou areia náufraga
de nenhum mundo
hei-de
começar mais tarde
por ora
sou a pegada
do passo por acontecer.

Mia Couto, Poema mestiço



É evidente a busca de identidade do poeta, além de uma esperança que é depositada no futuro, expressando desejo de mudança!