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terça-feira, junho 23, 2009

Álvaro Cunhal

Álvaro Cunhal, falecido em Junho de 2005, permanece na nossa memória e nos nossos ideais!
Por essa razão, recordamos o importante poema de Pablo Neruda escrito quando o dirigente do PCP estava encarcerado no Forte de Peniche. O poema foi publicado num folheto das Edições Avante, "Contribuições à luta pela libertação de Álvaro Cunhal", e que incluía ainda um apelo de Jorge Amado à libertação do valoroso militante antifascista.



Quando desembarcas

em Lisboa,

Céu celeste e rosa,

estuque branco e ouro

pétalas de ladrilho

as casas,

as portas,

os tectos,

as janelas

salpicadas do ouro verde dos limões,

do azul ultramarino dos navios,

quando desembarcas

não conheces,

não sabes que por detrás das janelas

escuta

ronda

a polícia negra,

os carcereiros de luto

de Salazar, perfeitos

filhos de sacristia e calabouço

despachando presos para as ilhas,

condenando ao silêncio

pululando

como esquadrões de sombras

sob janelas verdes,

entre montes azuis,

a polícia,

sob outonais cornucópias,

a polícia

procurando portugueses,

escavando o solo,

destinando os homens à sombra.



Pablo Neruda, A Lâmpada Marinha

sábado, maio 09, 2009

A acusação de Álvaro Cunhal no Tribunal Plenário (9 Maio 1950)


A reacção de Álvaro Cunhal perante a previsível condenação do Tribunal Plenário assumiu um tom profético perante os juízes, referindo-se-lhes com dureza:

“Vamos ser julgados e certamente condenados. Para nossa alegria basta saber que o nosso povo pensa que se alguém deve ser julgado e condenado por agir contra os interesses do povo e do país, por utilizar meios inconstitucionais e ilegais, esse alguém não somos nós, comunistas. O nosso povo pensa que, se alguém deve ser julgado por tais crimes, então que se sentem os fascistas no banco dos réus, então que se sentem no banco dos réus os actuais governantes da Nação e seu chefe, Salazar.”

Álvaro Cunhal seria condenado a quatro anos e seis meses de prisão celular, ou, em alternativa, a seis anos e nove meses de degredo. Para além disso, foi condenado a medidas de segurança” que permitiam mantê-lo na cadeia por toda a vida!

Álvaro Cunhal participaria na célebre fuga do forte-prisão de Peniche, em 3 de Janeiro de 1960.







alfa

A tortura



Intervenção de Álvaro Cunhal no seu julgamento no Tribunal Plenário, de 2 a 9 de Maio de 1950:


“Como membro do PCP, como filho adoptivo do proletariado, cumpri os meus deveres para com o meu partido e o meu povo. É isto que interessa que fique provado (…).

De facto, na PIDE foram-me feitas variadas perguntas relacionadas com a minha actividade política.
A todas elas me recusei a responder com o fundamento - que mantenho - de que um membro do Partido Comunista Português (…) não tem quaisquer declarações a fazer à polícia política.
“Da primeira vez que fui preso, como me negasse a prestar declarações, algemaram-me, meteram-me no meio de uma roda de agentes (da PIDE) e espancaram-me a murro, pontapé, cavalo-marinho e com umas grossas tábuas com uns cabos apropriados. (…) Isto repetiu-se numerosas vezes, durante largo tempo, até que perdi os sentidos, estando 5 dias sem praticamente dar acordo de mim.”




Álvaro Cunhal, Desenhos da Prisão



alfa

sábado, maio 02, 2009

A defesa de Álvaro Cunhal no Tribunal Plenário, de 2 a 9 de Maio de 1950

A 2 de Maio de 1950 iniciou-se o julgamento de Álvaro Cunhal no Tribunal Plenário da Boa Hora. Na bancada da acusação, a PIDE. Na bancada de defesa, o seu pai, Avelino Cunhal e Luís Francisco Rebelo.

No entanto, o dirigente comunista encarregou-se da sua própria defesa e de improviso, nos dois primeiros dias do julgamento, falou durante mais de dez horas.

“Nós queremos que a política seguida em Portugal seja efectivamente portuguesa, seja determinada pelos interesses da maioria da população portuguesa e não pelos interesses de um ínfimo punhado de multimilionários que se tornam cúmplices dos imperialistas estrangeiros nos conselhos de administração das grandes companhias. Nós queremos que a independência portuguesa seja uma realidade vivida pelo nosso povo e não uma frase para fins publicitários.”

(Álvaro Cunhal)




http://resistir.info/portugal/imagens/cunh_12.jpg
Álvaro Cunhal, Desenhos da Prisão
alfa