Aqui posto de comando do Movimento das Palavras Armadas.

quarta-feira, abril 23, 2008

Grândola Vila Morena

A 2ª senha, para continuação do golpe foi dada pela canção Grândola, Vila Morena, de José Afonso, gravada por Leite de Vasconcelos e posta no ar por Manuel Tomás, no programa Limite da Rádio Renascença, à meia-noite e vinte, sendo antecedida pela leitura da sua primeira quadra. Grândola, Vila Morena foi composta como homenagem à "Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense", onde no dia 17 de Maio de 1964, «Zeca» Afonso actuou.
Depois, fez-se a leitura de poemas da autoria de Carlos Albino, jornalista do República e colaborador naquele programa, que, a pedido de Álvaro Guerra e do comandante Almada Contreiras, tinha ficado incumbido de enviar senhas para sincronizar o golpe do MFA.



Grândola, vila morena

Terra da fraternidade

O povo é quem mais ordena

Dentro de ti, ó cidade



Dentro de ti, ó cidade

O povo é quem mais ordena

Terra da fraternidade

Grândola, vila morena



Em cada esquina um amigo

Em cada rosto igualdade

Grândola, vila morena

Terra da fraternidade



Terra da fraternidade

Grândola, vila morena

Em cada rosto igualdade

O povo é quem mais ordena



À sombra d’uma azinheira

Que já não sabia a idade

Jurei ter por companheira

Grândola a tua vontade



Grândola a tua vontade

Jurei ter por companheira

À sombra duma azinheira

Que já não sabia a idade
José Afonso

terça-feira, abril 22, 2008

E depois do Adeus...

A 1ª senha, para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das Forças Armadas, foi dada por João Paulo Dinis aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa: «Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74, E Depois do Adeus ...».
Quis saber quem sou

O que faço aqui

Quem me abandonou

De quem me esqueci

Perguntei por mim

Quis saber de nós

Mas o mar

Não me traz

Tua voz.

Em silêncio, amor

Em tristeza e fim

Eu te sinto, em flor

Eu te sofro, em mim

Eu te lembro, assim

Partir é morrer

Como amar

É ganhar

E perder

Tu vieste em flor

Eu te desfolhei

Tu te deste em amor

Eu nada te dei

Em teu corpo, amor

Eu adormeci

Morri nele

E ao morrer

Renasci

E depois do amor

E depois de nós

O dizer adeus

O ficarmos sós

Teu lugar a mais

Tua ausência em mim

Tua paz

Que perdi

Minha dor que aprendi

De novo vieste em flor

Te desfolhei...E depois do amor

E depois de nós

O adeus

O ficarmos sós


Letra:José Niza; Música: José Calvário; Canta: Paulo de Carvalho

sexta-feira, abril 18, 2008

Ecce Homo



Desbaratamos deuses, procurando

Um que nos satisfaça ou justifique.

Desbaratamos esperança, imaginando

Uma causa maior que nos explique.


Pensando nos secamos e perdemos

Esta força selvagem e secreta,

Esta semente agreste que trazemos

E gera heróis e homens e poetas.


Pois Deuses somos nós.

Deuses do fogo

Malhando-nos a carne, até que em brasa

Nossos sexos furiosos se confundam,


Nossos corpos pensantes se entrelacem

E sangue, raiva, desespero ou asa,

Os filhos que tivermos forem nossos.
Ary dos Santos

Aviso Geral – mais de 30.000 no Porto e 60.000 em Lisboa


Milhares de trabalhadores participaram de forma expressiva no Aviso Geral ao Governo PS convocado pela CGTP-IN. Os trabalhadores denunciaram o aumento do desemprego, da precariedade, o bloqueio à contratação colectiva e lançaram um forte aviso ao Governo que se prepara para alterar para pior a legislação de trabalho. O Aviso Geral contou com a solidariedade dos comunistas, tendo o Secretário-geral do PCP marcado presença na manifestação em Lisboa.




Eu acrescento que foi uma grande demonstração de força, durante um dia de trabalho e em que os milhares de manifestantes tiveram que enfrentar o mau tempo.

Homer Simpson censura Hugo Chavez


Na Venezuela, a Comissão Nacional de Telecomunicações decidiu recomendar que a série de desenhos animados «Os Simpson» não fosse passada em horário infantil (como não o é na maioria dos países do mundo, incluindo o nosso). O Canal – privado – acatou a decisão, e colocou no horário antes ocupado pelos Simpson a série «Marés Vivas».
Umas horas depois, a Imprensa Internacional começa a noticiar «Venezuela proíbe os Simpson», depressa evolui para «Chavez proíbe os Simpson», até atingir o actual nível «Chavez proíbe Simpson e coloca 'Marés Vivas' no seu lugar».
A Comunicação Social dominada cá do burgo - acéfala caixa de repetição das mentiras e intoxicações «made in USA» - não podia deixar de amplificar a campanha. Imediatamente, esta acção se reflecte na chamada «blogoesfera», e em centenas de blogs, milhares de cidadãos melhor ou pior intencionados comentam e censuram a atitude de Chavez. E em milhões de locais da esfera real onde vivemos, milhões reproduzem e comentam esta informação. Nascem anedotas, sedimentam-se preconceitos, tiram-se conclusões.
De uma mentira torpe, de uma falsificação grosseira, a máquina conseguiu que milhões saibam que Chavez fez o que não fez, saibam que pensa o que não pensa, e concluam o que os donos da máquina querem que concluam.
Como Homer Simpson faria, sem reflectir, sem previamente criticar a informação recebida, milhões hoje censuram a Hugo Chavez um acto que não praticou, e extrapolam-no para a prática «dos comunistas».
E «factos» como este são criados e disparados às dezenas todos os dias.
Assim funciona a máquina triturante do pensamento único. Contra ela atiramos todos os dias a VERDADE. Às vezes parece um esforço inútil, mas não o é. Nesta luta, a verdade actua como a brisa do mar quando roça o casco de qualquer navio – parece que o navio segue indiferente à brisa, mas todos sabemos que é a brisa que participa na inexorável destruição do navio.




Texto de Manuel Gouveia






domingo, abril 13, 2008

É LINDO NA PRIMAVERA


Foto de Rosário Soares
Toda a noite canta, canta


Lá na fonte o rouxinol


Nós cantamos todo o dia


Nós cantamos todo o dia


Do nascer ao pôr-do-sol

É lindo na Primavera



Ver searas ondular


Subir ao alto do monte


Beber água em qualquer fonte


Ouvir os grilos cantar


Ver os rebanhos de gado


Nos verdes campos pastar


Rapazes e raparigas


Cantando lindas cantigas


Nos campos a trabalhar

Cantavam dois passarinhos



Cantigas ao desafio


Um no tronco empoleirado


Um no tronco empoleirado


Outro na margem do rio

É lindo na Primavera



Ver searas ondular

quinta-feira, abril 10, 2008

PCP denuncia que metade das empresas do PSI20 é gerida por ex-governantes

(...)O PCP foi mais longe e desfiou uma longa lista de ex-governantes que foram para grandes empresas. E ficou sem resposta de todas as bancadas. "Metade das empresas do PSI20 tem ex-governantes nos seus órgãos sociais", denunciou ontem Bernardino Soares, líder da bancada do PCP. Sem nunca referir nomes - à excepção de Jorge Coelho (ver P2) -, o dirigente comunista deu outros exemplos de ex-ministros de Obras Públicas que ingressaram em grandes empresas, como Ferreira do Amaral (PSD), na Lusoponte, António Mexia (PSD) na Galp e depois na EDP. Bernardino Soares referiu também casos na banca: um ex-ministro PSD (Fernando Nogueira), um ex-secretário de Estado da presidência (Paulo Teixeira Pinto) e um ex-ministro-adjunto (Armando Vara, PS) no BCP. O Banco Santander recrutou uma ex-ministra das Finanças (Manuela Ferreira Leite (PSD) e um ministro da Presidência (António Vitorino, PS). Noutras áreas, o líder da bancada do PCP referiu ainda um secretário de Estado da Saúde (José Lopes Martins, PSD) para a administração do Hospital Amadora-Sintra cujo contrato negociou, um ex-ministro do Desporto e da Administração Interna (Fernando Gomes, PS) na Galp, e um ex-ministro das Finanças (Pina Moura, PS) na Iberdrola e na Prisa. Para Bernardino Soares, "esta situação de promiscuidade mina os alicerces do Estado democrático, compromete a independência de decisão e dá justificadas razões para que o povo esteja descrente nos partidos que alternam a governação". Esta declaração política foi recebida com silêncio no plenário. Nenhum partido quis intervir.(...)
In Público

sábado, abril 05, 2008

Fernando Lemos

Fernando Lemos (José Fernandes de Lemos) artista plastico, fotógrafo, poeta, designer, nasceu em Lisboa, em 1926.

A ditadura comeu a minha juventude e a da minha geração. Fui zangado, fui! Não valia a pena ficar. A fazer o quê? Entregar-me à política mais extremista? Estive sempre ligado à esquerda, ao Partido [Comunista], mas sem me filiar. No Brasil continuei a lutar contra Salazar nos jornais, junto dos exilados, e contra a ditadura que também lá havia. Colaborei com Fernando Henrique Cardoso, com Lula, sou comprometido politicamente mas sem partido. A polícia política brasileira também tinha um relatório meu!


in Diário de Notícias

ESTÁ UMA NOITE TÃO SERENA


Os corações também choram


Eu ainda não sabia


Esta noite, esta noite acordei eu


Ao pranto que o meu fazia


Está uma noite tão serena


Vêem-se estrelas brilhar


Vai amor, não tenhas pena


De deitar a barca ao mar


De deitar a barca ao mar


Não tenhas pena


Vêem-se as estrelas brilhar


Está uma noite tão serena


O meu amor de brioso


Não assenta o pé no chão


Assenta, assenta amorzinho


Não dês passadas em vão

Está uma noite tão serena


Vêem-se estrelas brilhar


Vai amor, vai amor

sexta-feira, abril 04, 2008

A morte do timoneiro...


Havana, 2 abr (EFE).- Faleceu em Havana o capitão de navio Norberto Collado, timoneiro do iate "Granma", no qual Fidel Castro chegou a Cuba, procedente do México, em 1956, para iniciar o levantamento armado contra o ditador Fulgencio Batista. Meios de imprensa locais informaram que Collado faleceu na madrugada de 2 de Abril, mas não especificaram os motivos. Os relatórios indicaram que seu corpo será cremado. Collado ingressou na Marinha de Guerra de Cuba durante a Segunda Guerra Mundial, onde foi técnico de sonar em tarefas de detecção e afundamentos de submarinos. Em 1943 participou do afundamento do alemão U-Boat 176, e era muito temido na época pela quantidade de navios que tinha feito desaparecer nas águas do Atlântico, segundo indica a "Agência de Informação Nacional". Após desembarcar em Cuba no dia dois de dezembro de 1956, foi capturado e condenado a prisão até o triunfo da revolução, em 1º de janeiro de 1959, momento no qual se incorporou à Marinha de Guerra Revolucionária. Desde 1981, estava encarregado de cuidar da réplica do iate que se encontra no memorial situado em Havana em homenagem à expedição de 82 homens que chegou a Cuba desde o exílio há 52 anos.

A vencedora

O fotógrafo freelancer Augusto Brázio, 43 anos, é o grande vencedor do VIII Prémio Fotojornalismo VISÃOBES. Mulher de 19 anos tem o seu terceiro filho em casa quando é assistida pelo INEM.

quinta-feira, abril 03, 2008

Todo o amor do mundo não foi suficiente


todo o amor do mundo não foi suficiente porque o amor não serve


de nada. ficaram


só


os papéis e a tristeza, ficou só a amargura e a cinza dos cigarros e


da morte.


os domingos e as noites que passámos a fazer planos não foram


suficientes e


foram


demasiados porque hoje são como sangue no teu rosto, são como


lágrimas.


sei que nos amámos muito e um dia, quando já não te encontrar em


cada instante, cada hora,


não irei negar isso. não irei negar nunca que te amei. nem mesmo


quando estiver


deitado,


nu, sobre os lençóis de outra e ela me obrigar a dizer que a amo


antes de a


foder.




josé luís peixoto

terça-feira, abril 01, 2008

A verdade apanha-se com enganos



sonhei aos vinte anos durante três avé-marias
que eu tinha-me roubado a minha vida
depois de treler o monte dos vendavais
decidi ir contra a futilidade do romance
fui apanhado aos vinte e dois
plena capicua inocente e rua
em amantíssima posse viral
verdade apanha-se com enganos
aos vinte e três outonos apaixonei-me doze
nem sempre pelas mesmas almas
mas sobrevivi a um coração míope


pedro sena-lino

segunda-feira, março 31, 2008

EU HEI-DE-ME IR ASSENTAR (No círculo que leva a lua)


Ó luar da meia-noite

Não digas à minha amada

Que eu passei à rua dela

Às quatro da madrugada


Eu hei-de-me ir assentar

No “circo” que leva a lua

Para ver as voltas todas, tirana

Que o meu amor dá na rua
Que o meu amor dá na rua


Que o meu amor há-de dar

No “circo” que leva a lua, tirana

Eu hei-de-me ir assentar

Veja lá não se adiante

Em falar demasiado


Eu hei-de-me ir assentar

No “circo” que leva a lua

sábado, março 29, 2008

Sem tema.

Ontem resolvi entrar numa prova de vinhos. Estava a precisar, não para esquecer, como o Povo diz, mas para não lembrar. Para não lembrar uma história ridícula que ouvi esta semana que passou, uma história que nem a uma criança convence. Bem, voltando à prova de vinhos, cabe dizer que estavam em disputa os seguintes vinhos: Singularis, Herdade de S. Miguel, Tapada do Barão reserva, Conventual e Mateus Rosé emotions. Bem… este último não estava bem em concurso, era apenas para beber.
Então lá fui eu bebendo e degustando à minha maneira, analisando a cor do produto, e sentindo os cheiros de frutos silvestres, de ameixas, ananases e outros cheiros que do néctar emanavam e sentindo nas papilas gustativas o sabor de cada vinho. Fui bebendo e bebendo e bebendo…. Os melhores pareciam-me os Alentejanos, talvez tenha sido as minhas costelas a darem-me esta ideia, mas a verdade é que todos eles eram Alentejanos como eu! Bem, foi então que percebi que passara de enólogo iniciante a ébrio comum. Visto isto, a noite já ia longa e havia uma decisão a tomar, ir-me deitar.
Hoje acordei com uma nova alma como canta Yael Naim, com paz de espírito que estava precisando e com aquilo que não precisava nada, uma pequena dor de cabeça. Mas valeu a pena! Ah e já me esquecia, parece-me que o melhor foi o Singularis e o Tapada do Barão.

sexta-feira, março 28, 2008

O fenómeno da menina dos sapatos vermelhos


Rita Red Shoes em Vila Real, foto de Hugo Maia. Foto retirada do site www.olhares.com
Esta pode ser a «era dourada» para Rita Red Shoes. O seu disco de estreia -«Golden Era» - é o resultado de muitos anos a acumular música. Quem a vê apenas como a menina que toca piano com David Fonseca não está a ver tudo. Rita ganhou coragem e foi para estúdio gravar o que andava lá por casa guardado em maquetes. O resultado é um disco muito bem conseguido, com melodias suaves a alternar com batidas ritmadas, e até um cheirinho de country em «Love, what is it». O Amor é, de facto, o tema deste disco. Rita não o nega. Aliás, para ela, quer queiramos quer não, todos «lá vão parar». O single do álbum «Hey Tom», já toca nas rádios. Mas há muito mais para descobrir no mundo de Rita Red Shoes.
Para ouvir clique aqui. Aconselho a música «choose love» e «Once I found you», embora todo o CD esteja com grande qualidade




Fonte: Sapo

Monte Lunai


Monte Lunai é o nome de um grupo formado por cinco músicos que se dedicam a uma reinvenção da dança e do baile tradicional, no contexto da música tradicional europeia. É composto pelo violinista, pelo contrabaixista, pelo tocador de flautas, rausschpheif, clarinete popular, gaita de foles, didgeridoo, berimbau e outros, pelo percussionista e pelo guitarrista.O grupo faz-se acompanhar normalmente por entendidos na dança, nomeadamente, por uma professora de danças europeias, cujo papel é a interligação entre o público e o grupo através da exemplificação das respectivas danças. A música dos Monte Lunai vai ao encontro da actual redescoberta dos temas da dança tradicional. De toda a Europa, toca temas de baile como a muiñeira da Galiza, o hanter’dro da Bretanha, a contradança, a valsa, a mazurca, e também danças da Grécia, da Ucrânia, de Itália e Portugal, equilibrando uma roda de culturas e de formas diversas de tocar instrumentos diversos, também eles com a sua tradição ímpar. Trata-se pois, de um grupo que vive para o palco e para o baile, tendo já actuado por todo o país e para os mais variados públicos.De particular relevância foram, por exemplo, os bailes no Andanças, em S. Pedro do Sul, na Quinta da Regaleira, em Sintra e no Castelo de São Jorge, em Lisboa, no Centro Cultural de Belém entre outros.Monte Lunai é a junção de dois termos de origens ou de épocas diferentes: o primeiro é actual e de significado imediato; o segundo poderá remeter para um imaginário antigo, de sabor vagamente medieval. É desta associação do antigo e do actual que se faz a música dos Monte Lunai.


Para ouvir clique aqui


quarta-feira, março 26, 2008

O Tibete foi, é e será sempre parte da China

Para quem apenas tem acesso a uma parte da história do que se passa no Tibete, aqui está um vídeo que explica em 7 minutos os 6 factos pelos quais o Tibete foi, é e será sempre parte da República da China. Esta é uma visão que os média ocidentais evitam passar e que é necessária para compreender o que verdadeiramente se passa. Entre vários factos, o filme aborda a escravidão dos Tibetanos pelos Lamas e as tentativas da CIA de divisão da República Popular China, à semelhança do que aconteceu com a Jugoslávia.
Para ver o filme clique aqui

terça-feira, março 25, 2008

FAREWELL


1

Desde o fundo de ti, e ajoelhado

um menino triste, como eu, nos olha.

Pela vida que arderá nas suas veias

teriam que amarrar-se nossas vidas.

Por essas mãos, filhas das tuas,

teriam que matar as minhas mãos.

Pelos seus olhos abertos na terra

verei nos teus lágrimas um dia.


2

Eu não o quero, Amada.

Para que nada nos amarre

que nada nos una.

Nem a palavra que perfumou tua boca

nem o que disseram as palavras.

Nem a festa de amor que não tivemos,

nem os soluços junto à janela.


3

(Amo o amor dos marinheiros

que beijam e partem.

Deixam uma promessa.

Não voltam nunca mais.

Em cada porto uma mulher espera:

os marinheiros beijam e partem.

Uma noite deitam-se com a morte

no leito do mar.


4

Amo o amor que se reparte

em beijos, leite e pão.

Amor que pode ser eterno

ou que pode ser fugaz.

Amor que quer libertar-se

para voltar a amar.

Amor divinizado que se chega

amor divinizado que se vai.)


5

Já não se encantarão meus olhos nos teus,

já não abrandará junto a ti minha dor.

Mas onde quer que vá levarei o teu rosto

e onde quer que vás levarás a minha dor.

Fui teu, foste minha. Que mais? Juntos demos

uma volta no caminho por onde o amor passou.

Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te amar,

do que colher no teu jardim o que eu semeei.

Vou-me embora. Estou triste: estou sempre triste.

Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.

... Do teu coração diz-me adeus um menino.

E eu digo-lhe adeus.




PABLO NERUDA - "Crepusculario". Barcelona, Planeta, 1990.

sábado, março 22, 2008

Kumpania Algazarra

Para ouvir clica aqui

Estamos em boa Kumpanhia. Por isso toca a fazer muita algazarra. Vamos dançar até o dia romper. Esta música é de festa.
Os kumpania Algazarra misturam várias cores no seu som. Sempre tons alegres. Para mais facilmente se identificar a sua música poderíamos dizer que seriam a banda sonora perfeita para um qualquer filme de Emir Kusturica. Os sons de leste, com especial incidência na musica cigana, são a maior fonte de inspiração desta fanfarra.
Mas atenção que eles não se ficam por estas paragens e transportam para dentro das suas composições outras culturas. A faixa dois deste EP, “ Nove Estações”, traz consigo pedaços do calor de África.
E claro os sons portugueses. Eles cantam em português. Nasceram e cresceram em Sintra. O tema que deveria fechar este disco de nome “Bailinho da Caravana”, mas que por lapso fugiu daqui para voltar a dar lugar a “Ó Cidade”, apesar de aparecer registado, tem no bandolim o instrumento que nos remete para o tradicional português. Quem desejar ouvir este tema, que nos transporta igualmente para o médio oriente.
O que cativa nesta música é o facto de todas estas referências se conjugarem no mesmo espaço, sem se atropelarem, tornando estas canções mais atractivas.
Claro, que isto é folk. Um folk, que muito por culpa dos sopros, por vezes atira um pouco para o ska. Mas se numa qualquer discoteca desejarmos arrumar este disco, teremos, de o colocar na prateleira da world music. Sim, por que isto é música do mundo. De vários mundos.
Os Kumpania Algazarra criam sons que entram no nosso corpo e nos obrigam a mexer o pé. Por minutos libertamos o stress e esquecemos o dia a dia, perante um som que nos cativa o espírito.
Abram alas e deixem passar esta fanfarra. A festa vai começar. Tragam Kumpanhia e venham para o baile.


Nuno Ávila

DOIS PARTIDOS

"Dois partidos (...), sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes (...) vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, – de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (...)".
Não, o texto acima não se refere ao PS e ao PPD/PSD. É de Guerra Junqueiro e foi escrito em 1896.

in Resistir.info

sexta-feira, março 21, 2008

Poeta Castrado, Não!


Serei tudo o que disserem

por inveja ou negação:

cabeçudo dromedário

fogueira de exibição

teorema corolário

poema de mão em mão

lãzudo publicitário

malabarista cabrão.

Serei tudo o que disserem:

Poeta castrado não!

Os que entendem como eu

as linhas com que me escrevo

reconhecem o que é meu

em tudo quanto lhes devo:

ternura como já disse

sempre que faço um poema;

saudade que se partisse

me alagaria de pena;

e também uma alegria

uma coragem serena

em renegada poesia

quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu

a força que tem um verso

reconhecem o que é seu

quando lhes mostro o reverso:

De fome já não se fala

- é tão vulgar que nos cansa -

mas que dizer de uma bala

num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história

- a morte é branda e letal -

mas que dizer da memória

de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser

o poema dia a dia?

- um bisturi a crescer

nas coxas de uma judia;

um filho que vai nascer

parido por asfixia?!

- Ah não me venham dizer

que é fonética a poesia !

Serei tudo o que disserem

por temor ou negação:

Demagogo mau profeta

falso médico ladrão

prostituta proxeneta

espoleta televisão.

Serei tudo o que disserem:

Poeta castrado, não!


Ary dos Santos

quinta-feira, março 20, 2008

Momento...


Sou guiado pela planície por pensamentos barulhentos e errantes, enquanto no horizonte o sol mergulha nas searas e os chaparros vão por mim passando em sentido contrário, como se me dissessem adeus. Corrente contínua e massiva de árvores em debandada! Como se tudo fugisse do sítio para onde eu vou....
No meio de todo este bulício surge algo infinitamente pequeno, pinta vermelha feita pelo pintor com pincel número um. Uma papoila prematura que não se quis atrasar para a Primavera e que acabou encontrando a inicial invernosa primavera. Por certo que não conseguirá viver durante toda a Estação mas de uma coisa ninguém a pode acusar, de se ter atrasado para a sua Primavera!

quarta-feira, março 19, 2008

Poema XX-De Vinte poemas de amor y una canción desesperada


Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

Pablo Neruda

terça-feira, março 18, 2008

Pelo sonho é que vamos


Pelo Sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos,
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e do que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

- Partimos. Vamos. Somos.


Sebastião da Gama


Imagem de Ana Nitzan

domingo, março 16, 2008

Homenagem a Rogério Ribeiro


Ano de 2003

Tibete: uma teocracia feudal

Existe toda uma «aura» construída em redor do «Dalai Lama», que só persiste porque se ignora o que era o Tibete de que ele era o monarca: uma teocracia feudal, onde os mosteiros possuíam a quase totalidade da terra, assim como toda a autoridade política, judicial e policial, a maioria dos camponeses eram mantidos em servidão (senão mesmo em escravatura), o rapto de crianças pelas ordens religiosas era considerado normal, e os castigos corporais (amputação de mãos, furar olhos, chibatadas) eram a forma mais corrente de administrar «justiça». Só para se ter uma ideia:
  • «In 1953, the greater part of the rural population---some 700,000 of an estimated total population of 1,250,000---were serfs. Tied to the land, they were allotted only a small parcel to grow their own food. Serfs and other peasants generally went without schooling or medical care. They spent most of their time laboring for the monasteries and individual high-ranking lamas, or for a secular aristocracy that numbered not more than 200 families. In effect, they were owned by their masters who told them what crops to grow and what animals to raise. They could not get married without the consent of their lord or lama. A serf might easily be separated from his family should the owner send him to work in a distant location. Serfs could be sold by their masters, or subjected to torture and death.»

Mais informação aqui.


Retirado do blogue Esquerda Republicana

Casa del Valle (Uma casa ideal...)






A casa que o arquitecto Guilherme Machado Vaz projectou para o seu pai, o conhecido sexólogo Júlio Machado Vaz.
As fotos de
Leonardo Finotti mostram a beleza de uma casa bem enquadrada na paisagem. Para mim, uma casa ideal...

domingo, março 09, 2008

Saudade



Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado
que ainda não passou,
é recusar um presente que
nos machuca, é não ver o futuro
que nos convida...

Saudade é sentir que existe
o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
"aquela que nunca amou."
E esse é o maior dos sofrimentos:

Não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido...

Pablo Neruda

Calçada de Carriche


Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe
sobe a calçada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas
não dá por nada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada,
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.
Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

António Gedeão

sexta-feira, março 07, 2008

Lisboa de vermelho

A maré cheia que no sábado tingiu o Rossio de vermelho, quando mais 50 mil militantes comunistas e outros democratas o fizeram transbordar numa poderosa demonstração do seu empenho na defesa da liberdade e da democracia, não foi apenas o reafirmar da vitalidade do PCP. Foi também a confirmação, sem margem para dúvidas, de que os valores de Abril estão vivos e de que os comunistas e os outros democratas portugueses estão dispostos a lutar para os defender e aprofundar.

Há mais de trinta anos que o PCP não promovia em nome próprio, uma manifestação. Fê-lo no passado sábado, 1 de Março, numa inédita acção de massas em defesa da liberdade e da democracia.
A resposta foi dada pela impressionante massa humana que, compreendendo a importância vital da luta em defesa do regime democrático, respondeu ao apelo do PCP e pintou de vermelho as ruas de Lisboa, num desfile como Lisboa há muito não via.
Quando o início da manifestação entrou no Rossio, começando a tornar rubra a velha praça, ainda muitos estavam a arrancar do Príncipe Real. Ao longo dos anos, já muitas manifestações tiveram aquele local como ponto de passagem ou de chegada, mas nenhuma como esta o fez transbordar assim. Para onde quer que se olhasse, e até onde a vista alcançava, era o vermelho ondulante das bandeiras do PCP que dominava.
Do palco, chegavam as palavras sempre actuais de Ary dos Santos: «Quantos somos? Como somos? / novos e velhos: iguais. / Sendo o que nós sempre fomos / seremos cada vez mais.» E os manifestantes não paravam de entrar na vermelha praça…
Ao longo do percurso – que se iniciou do Príncipe Real e desceu a Rua do Século em direcção ao Largo do Carmo, para em seguida rumar ao Rossio passando pela Praça da Figueira – ninguém ficava indiferente à passagem de tamanho cortejo. Uns, «conhecedores» do PCP apenas pelos meios de comunicação social e pelos generalizados preconceitos, surpreendiam-se com a dimensão da manifestação e o número de jovens (que eram «muitos, muitos mil para continuar Abril», como cantavam). Outros, entusiasmados com a sua vitalidade, não resistiam a saudar os manifestantes. Em resposta, eram incentivados a integrar o cortejo, o que muitos fizeram. De algumas janelas agitavam-se lenços e camisolas vermelhos em fraternas saudações.

In Avante!

domingo, março 02, 2008

Complexo Desportivo Ribera Serrallo, em Cornella de Llobregat, Barcelona.



Siza Vieira, arquitecto Português, venceu o prémio Secil 2006 com este complexo. As fotos de Fernando Guerra mostram a poesia que existe nesta obra arquitectónica.

sábado, março 01, 2008

Estranha forma de vida

Joana Vasconcelos


Foi por vontade de Deus
que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
Que é toda a minha saudade.
Foi por vontade de Deus.

Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vive de forma perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.

Coração independente,
coração que não comando:
vive perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
coração independente.

Eu não te acompanho mais:
para, deixa de bater.
Se não sabes onde vais,
porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais.

Amália Rodrigues

Faleceu Maria Adelaide Dias Coelho Aboim Inglez

Faleceu ontem Maria Adelaide Dias Coelho Aboim Inglez. Nascida em 1932, em Castelo Branco, no seio de uma família antifascista, dedicou toda a sua vida à luta contra o fascismo e pela liberdade. Maria Adelaide aderiu ao PCP em 1953, tendo passado dez anos na clandestinidade. Presa por duas vezes passou dois anos na Cadeia de Caxias, Maria Adelaide assumiu várias tarefas clandestinas das quais se destacam o seu papel na ligação entre a organização dos camaradas presos nas cadeias fascistas e a organização do Partido no exterior, assim como na luta de solidariedade e pela libertação dos presos políticos. Entre 1968 e 1975, por indicação do Partido, residiu em Moscovo com Carlos Aboim Inglez, seu companheiro de sempre.

Mais de 50 MIL na Marcha Liberdade e Democracia

Manifestação do PCP (foto ANTONIO COTRIM/LUSA)

Em intervenção no final da Marcha, Jerónimo de Sousa, disse: «Permitam-me que vos saúde. Que manifeste a minha admiração e alegria pelo nível e dimensão desta Marcha inédita, transformada numa torrente humana onde se sente o pulsar da inquietação face aos perigos e ameaças, do protesto e do descontentamento perante as injustiças, aliados à determinação e à confiança na luta pela liberdade e democracia. Admiração e alegria tanto mais sentidas quanto nos tempos que correm sopram os ventos avassaladores da ideologia dominante que nos convidam e empurram para o pântano do conformismo e fatalismo, da alternância sem alternativa, da interiorização nas consciências da ideia da inevitabilidade das injustiças e desigualdades, da negação de um Portugal desenvolvido e democrático que acreditamos ser possível com a vitória de Abril.»

Agora sim eram Comunistas e foram mais de 50 mil a provarem que há muitos mil para continuar Abril...

Signo de Escorpião

Para ti, saberás, não há descanso A paz não é contigo nem fortuna; O signo assim ordena. Pagam-te os astros bem por essa guerra: Por mais curta que a vida for contada, Não a terás pequena.

José Saramago

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Áspero amor

"Um amor"

Um amor
largado às sombras, irreconhecível
até de perto

José Tolentino Mendonça



Áspero amor, violeta coroada de espinhos...
Arbusto entre tantas paixões erguidas,
Lança das dores, coroa da ira,
Por quais caminhos e como te dirigiu a minha alma?
Por que precipitaste teu fogo doloroso,
Repentinamente, entre as folhas frias do meu caminho?
Quem te ensinou os passos que te levaram a mim?
Que flor, que pedra, que fumaça mostraram minha casa?
A verdade é que tremeu a noite apavorante,
A aurora encheu todas as taças com seu vinho
E o sol estabeleceu sua presença celeste,
Enquanto o amor cruel me cercava sem trégua,
Até que padecendo-me com espadas e espinhos,
Abriu meu coração um caminho ardente.

Pablo Neruda

Somos todos responsáveis...

domingo, fevereiro 24, 2008

Soberanamente e Democraticamente Cuba elegeu o seu Presidente


Raúl Castro foi hoje eleito pela Assembleia Nacional Presidente de Cuba.
A Revolução Socialista continua...

Comunista eleito Presidente do Chipre

Líder do partido comunista Akel, Demetris Christofias, de 61 anos, obteve 53,36 por cento dos votos contra 46,64 por cento do antigo ministro conservador dos Negócios Estrangeiros Ioannis Kasoulides, 59 anos, segundo os resultados definitivos.

A taxa de participação nesta segunda volta das presidenciais foi de 90 por cento.

Nas ruas de Nicósia, os partidários de Christofias festejam a vitória do seu candidato com uma concentração em frente do quartel-general do partido comunista na capital.

Demetris Christofias é o sexto Presidente da antiga colónia britânica que alcançou a independência em 1960. Primeiro dirigente do partido comunista cipriota a candidatar-se a presidenciais, Christofias tornou-se o único chefe de Estado comunista entre os 27 países membros da União Europeia.

in Semanário O Sol

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Provérbio




Oferecer amizade a quem deseja amor, é dar pão a quem morre de sede.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Momento


Pintura de Rodolfo-Barral

(...)
Enche o teu coração de esperança, mas não deixes que ele se afogue nela.
Se achares que precisas de voltar atrás, volta!
Se perceberes que precisas seguir, segue!
Se estiver tudo errado, começa novamente.
Se estiver tudo certo, continua.
Se sentires saudades, mata-as.
Se perderes um amor, não te percas!
Se o achares, segura-o!
Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala.
“O mais é nada".

Fernando Pessoa

sábado, dezembro 15, 2007

Parabéns Grande Niemeyer!





15 de Dezembro de 1907
Nasce no Rio de Janeiro.


1945
Ingressa no Partido Comunista Brasileiro.


1957- 58
Projecta o Palácio da Alvorada em Brasília e os principais prédios da Nova Capital.


15 de Dezembro de 2007
Celebra 100 anos

Um pequeno excerto da grande biografia de Niemeyer, para a ver completa clique aqui

segunda-feira, novembro 26, 2007

Jardim da saudade


Tenho ainda em mim o teu cheiro
o cheiro do amor e sinto-te
como se estivesses aqui
Tenho-te aqui comigo, em pensamento,
e abraço-te e beijo-te e quero-te outra vez
da mesma maneira como nos quisemos
e nos amámos ontem ainda
Olho-te e sorris com esse sorriso maroto
de menino
Nos teus olhos há estrelas que cintilam
e eu já não sei o que faço ou
o que penso, porque tu, com esse teu jeito,
levas-me pela mão para o jardim da saudade...



In o blogue O Cheiro da Ilha que recomendo a sua visita.