Deste modo foram transferidos os prisioneiros para o cárcere da base naval dos EUA em Guantánamo 
Fonte da foto: www.granma.cu
Hoje apeteceu-me escrever sobre os prisioneiros das guerras, não só sobre os maltratados prisioneiros de Guantánamo, mas também sobre prisioneiros como Saddam e Milosevic. Estou certo que este meu artigo poderá criar alguma perplexidade, porém não me intimidarei sobre tais pensamentos. Parti para este comentário das seguintes questões: Porque será que são sempre os derrotados que vão a tribunal de guerra? Será que se presume que os vencidos são os criminosos? Para estas questões eu não consigo resposta que não seja o poder militar e económico dos vencedores destas guerras, que obrigam a que assim seja. Porém, eu tenho uma opinião sobre o julgamento destes pseudo criminosos de guerra, sim pseudo porque até serem condenados – ainda que por tribunais com legitimidade ou sem ela – presumem-se sempre inocentes. Na minha opinião Milosevic faz bem em recusar-se a ser julgado numa instituição que não tem jurisdição sobre todo o mundo e que funciona como uma marioneta daqueles que não o reconhecem. Quanto a Saddam, eu já previa que ao entrar no tribunal ele ir-se-ia declarar como Presidente do Iraque. A guerra foi ilegal e teve como base pressupostos que se vieram a verificar serem falsos, portanto, se a guerra foi ilegal tudo o que dela resulta estará viciado da mesma forma.
Aquando da crise dos mísseis de Cuba, o representante da União Soviética mentiu perante a Assembleia Geral da ONU e foi um “balde de água fria”, esta mentira pôs em causa toda a imagem de um Estado perante a Sociedade Internacional. Porém, desta vez, não foi só um representante na Assembleia Geral da ONU, mas também o Presidente dos EUA que mentiu a todo o mundo, contudo, a imagem do Estado parece inalterável perante os olhos da Sociedade Internacional. A S. I necessita de democracia, necessita de igualdade. Como é possível que aquele que mente e com essa mentira causa uma guerra ilegal e por sua vez sofrimento humano não vá a julgamento?! Enquanto que por outro lado, aquele que perdeu mas falou a verdade é julgado?!
Isto não é uma apologia das ditaduras, mas em Portugal nós também tivemos uma e convém relembrar que os EUA não vieram ajudar o povo português que também sofria atrocidades durante o Estado Novo, nada comparáveis com aquelas que os iraquianos sofreram é certo, contudo os EUA nessa altura preferiam ajudar o Governo de Salazar. Vêm agora estes, em certas situações e neste novo milénio auto-apelidarem-se de “Paladinos da Libertação do Povos” para poderem ter legitimidade para intervir em qualquer lado do mundo, mas só onde lhes interessa! Em troca das atrocidades do Governos ditatoriais - que em alguns aspectos sofrem dificuldades por embargos dos EUA - os “paladinos” oferecem as atrocidades das suas bombas e as atrocidades das violações das regras mais elementares dos Direitos Humanos nos países “civilizados”, entre os quais eles pensam estar. Perante isto alguns países com grande peso na Sociedade Internacional baixam as calças e...